O que é um pneumotórax?

O pneumotórax é uma condição em que o ar se acumula entre o pulmão e a parede torácica, provocando o colapso parcial ou total do pulmão. Os sintomas mais comuns incluem dor torácica súbita e dificuldade em respirar.

Tratamentos não cirúrgicos

Nem todos os casos de pneumotórax requerem cirurgia. Em situações mais ligeiras, o tratamento pode incluir:

  • Observação: em casos pequenos e sem sintomas significativos, o ar pode ser reabsorvido naturalmente pelo organismo.
  • Oxigenoterapia: a administração de oxigénio pode acelerar a reabsorção do ar no espaço pleural.
  • Drenagem torácica: um tubo é inserido no tórax para remover o ar e permitir que o pulmão reexpanda.

Estes métodos são frequentemente eficazes em episódios isolados ou menos graves.

Quando é indicada a cirurgia?

  • O paciente já teve pelo menos um episódio do mesmo lado ou um episódio do outro lado (o objetivo é evitar o risco de ocorrência de pneumotórax bilateral que pode ter consequências graves).
  • A drenagem torácica não é suficiente para garantir a cura.
  • O paciente faz viagens a locais distantes que dificultariam o tratamento de um pneumotórax no local de destino.
  • Casos de risco elevado de recorrência, como em profissionais expostos a variações de pressão (ex.: mergulhadores, pilotos).

Abordagem cirúrgica

A intervenção mais comum para tratar o pneumotórax é a pleurodese, geralmente realizada por videotoracoscopia (VATS) — uma técnica minimamente invasiva que proporciona recuperação mais rápida e menos dor. Em determinados casos, pode ser necessário realizar uma bullectomia (remoção de bolhas pulmonares) ou uma pleurectomia (remoção parcial da pleura).

A cirurgia é feita sob anestesia geral e, na maioria dos casos, não requer abertura do tórax, sendo realizada por toracoscopia uniportal. Esta técnica envolve uma incisão de cerca de 4 cm, por onde se introduz uma óptica Comparada à cirurgia torácica convencional, evita uma grande cicatriz e os efeitos de uma incisão maior, como secção muscular ou separação das costelas.

A intervenção cirúrgica segue três etapas principais:

  1. Identificação da fonte de fuga aérea.
  2. Remoção das bolhas pulmonares, utilizando dispositivos automáticos de corte e sutura.
  3. Pleurodese, ou seja, a união definitiva entre as duas camadas da pleura. Esta pode ser feita por abrasão pleural (método mais comum) ou pela instilação de uma substância química, como o talco.

No final da cirurgia, é colocado um dreno pleural, para aspirar o ar e as secreções pleurais no pós-operatório e permanecem no local por 1 a 3 dias. Salvo exceções, o paciente recebe alta no dia seguinte à retirada do dreno.

O tempo de internamento depende da rapidez com que o dreno pode ser removido. Em média, dura entre 3 a 4 dias, podendo estender-se para 10 a 15 dias em casos de pneumotórax secundário com fuga aérea prolongada.

Recorrência/Recidiva após a cirurgia

A taxa de reincidência situa-se entre 3 a 5%, sendo mais frequente no sexo feminino. No entanto, deve-se notar que essas recorrências são na maioria das vezes parciais e sem consequências. Raramente requerem uma nova intervenção.

Recuperação

Após a cirurgia, o internamento é geralmente curto e a recuperação rápida. A taxa de sucesso é elevada, com baixo risco de recorrência. Três a quatro semanas após a operação poderá levar uma vida normal em todos os aspectos, incluindo fazer desporto, desde que tenha efetuado radiografia do tórax com resultado normal. Deverá abster-se da prática de actividades que impliquem variações súbitas de pressão, tais como paraquedismo, parapente ou mergulho de garrafa. Durante os primeiros 15 dias não são recomendados esforços musculares violentos (carregar uma carga pesada) nem viagens aéreas.Dependendo da sua atividade profissional, poderá retomar a actividade profissional dentro de 2-4 semanas.